The Mary Tyler Moore Show

domingo, abril 12, 2015


No dia 19 de Setembro de 1970 ia ao ar pela rede de televisão americana CBS, o sitcom The Mary Tyler Moore Show.
O seriado entrou para história da TV mundial, fazendo sucesso no mundo inteiro, recebendo vários prêmios e gerando vários spin-offs com os personagens. 
Pela primeira vez, uma série mostrava uma mulher solteira totalmente emancipada e independente, dedicada ao trabalho, algo bem à frente da década de 70.O seriado abordava temas polêmicos com muito humor como sexo antes do casamento, homossexualidade, infidelidade conjugal e divórcio.
A atriz Mary Tyler Moore vinha de outro seriado de sucesso, o The Dick Van Dike Show, a personagem da trama é Mary Richards, que saía da pequena cidade de Roseburg e se mudava para Minneapolis, em busca de uma vida melhor na cidade grande. Chegando lá ela vai morar em um apartamento sublocado e vizinho de sua amiga Phillys, Mary então vai a emissora de televisão TV WJM, para ver uma vaga de secretária, mas já estava preenchida, ela aceita a vaga de produtora de TV, apesar do salário ser mais baixo e  não ter experiência nenhuma nessa área.
Inicialmente seria uma mulher divorciada, mas a emissora temeu que o público interpretasse mal e a deixou solteira mesmo.
Apesar de ser pequeno naquela época, eu me lembro de quando o seriado passava na Rede Globo em 1975, o seriado era colorido, mas por aqui, a gente via nas televisões em preto e branco.
Foram ao todo, 168 episódios com 25 minutos de duração, exibidos entre 19 de Setembro de 1970 até 19 de Março de 1977, totalizando 7 temporadas.


A música tema do seriado era Love is All Around, composta e gravada por Sunny Curtis em 1970. E se tornou um dos temas mais icônicos da televisão em todo mundo.

Veja a letra da música

Who can turn the world on with her smile?
Who can take a nothing day, and suddenly make it all seem worthwhile?
Well it's you girl, and you should know it
With each glance and every little movement you show it

Love is all around, no need to waste it
You can have a town, why don't you take it
You're gonna make it after all
You're gonna make it after all


How will you make it on your own?
This world is awfully big, girl this time you're all alone
But it's time you started living
It's time you let someone else do some giving

Love is all around, no need to waste it
You can have a town, why don't you take it
You're gonna make it after all
You're gonna make it after all


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Essa era abertura da 1ª temporada, que mostrava Mary se mudando para Minneapolis e um pequeno flashback de sua festa de despedida do emprego anterior, enquanto dirige seu Ford Mustang, também mostra seu deslumbramento com a cidade grande.

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Na abertura da 2ª temporada, vemos Mary já adaptada à vida de Minneapolis e seus amigos e seu apartamento.

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À partir da 5ª temporada até a final, a abertura já mostrava Mary com cabelos mais curtos, mostrando um pouco da sua vida entre o trabalho e sua vida pessoal.

Vamos conhecer agora cada personagem do seriado:


Mary Richards (Mary Tyler Moore) - A protagonista da história, é filha de Walter e Dottie Richards. Vivia em Roseburg, sua terra natal e se muda para Minneapolis, depois de romper um noivado, em um apartamento sublocado pela sua amiga Phyllis Lindstrom, lá conhece Rhoda Morgensten que é a vizinha do apartamento de cima e que viria se tornar sua melhor amiga para a vida toda. Trabalha como produtora e repórter na WJM-TV.



Lou Grant (Edward Asner) - É o chefe de Mary, é um workholic rabugento e possui um gênio difícil, mas no fundo tem um bom coração que vai sendo revelado no decorrer do seriado, tem um relacionamento paternalista com Mary. Foi casado com Edie, se separando posteriormente.
Após o término do seriado, Lou ganhou sua própria série spin-off que foi exibida de 1977 até 1982.



Murray Slaughter (Gavin MacLeod) - É o redator do noticiário Six O´Clock News, é o amigo mais próximo de Mary, no qual tem uma paixão platônica por ela, apesar de ser muito bem casado com Marie com quem tem vários filhos.



Ted Baxter (Ted Knight) - É o âncora pomposo, megalomaníaco e narcisista do Six O´Clock News, vive cometendo trapalhadas e morre de medo de ser despedido da emissora que sempre promove demissões em massa. Namora com Georgette, com quem se casa mais tarde.



Rhoda Morgenstern (Valerie Harper) - É a melhor amiga de Mary, Rhoda é uma judia que veio do Bronx, é muito insegura com sua aparência e namora muito, apesar dos seus encontros amorosos serem sempre desastrosos. Trabalha como vitrinista na loja de departamentos Bloomfield em Minneapolis.
A personagem fez tanto sucesso que ela ganhou sua própria série em 1974, o spin-off Rhoda. Ela volta para New York, então sai do seriado à partir daí.



Phyllis Lindstrom (Cloris Leachman) - É amiga de Mary que subloca o apartamento para ela, é uma dondoca controladora, esnobe e com uma língua afiada, é casada com o dermatologista Lars Lindstrom (um personagem que nunca aparece no seriado) e tem uma filha precoce chamada Bess. Vive envolvida com grupos e clubes, é uma ativista partidária e política da Libertação das Mulheres.
Em 1975, na quinta temporada, fica viúva e descobre que seu marido não tinha bens e que precisa trabalhar para se sustentar, então se muda San Francisco, dando origem à série spin-off Phyllis, deixando também o seriado.



Georgette Franklin (Georgia Engel) - É a namorada de Ted, com quem se casa mais tarde. É doce, ingênua e dedicada e trabalha como vitrinista juntamente com Rhoda.



Sue Ann Nivens (Betty White) - É a apresentadora do programa de culinária The Happy Homemaker, apesar da aparência de dona de casa perfeita, ela é irônica, competitiva e obcecada por homens, especialmente por Lou, o qual vive jogando charme e usando frases de duplo sentido. É cruel e sarcástica com as pessoas que ela não gosta, considerando-os como uma ameaça.
Na quinta temporada, o programa de culinária é cancelado por baixa audiência e Sue é obrigada trabalhar na redação, para desgosto de todos.



Edie Grant (Priscilla Morrill) - É a esposa de Lou com quem tem filhos. Na 2ª temporada, eles se divorciam, depois passam por várias tentativas de reconciliação. Na 4ª temporada, ela se casa com Gordy Howard.



Gordy Howard (John Amos) - É o repórter do tempo na WJM. Afável, inteligente e profissional. Na 3ª temporada, ele consegue um emprego de apresentador em um talk show em New York, deixando o seriado.



Bess Lindstrom (Lisa Gerristen) - É a filha única e precoce de Phyllis, ajuda a mãe a decorar o apartamento de Mary, é muito ligada à Rhoda, a qual vive chamando de tia.


Florence Meredith (Eillen Keckart) - É uma parente distante de Mary, também conhecida como tia Flo, é um pioneira no jornalismo e vive em atritos com Lou, com quem teve um affair no passado.



Ida Morgenstern e Martin Morgenstern (Nancy Walker e Harold Gould) - São os pais de Rhoda, Ida é uma mãe judia arrogante e estereotipada, enquanto que Martin, é um homem tranquilo e despreocupado.




Walter e Dottie Richards (Bill Quinn e Nanette Fabray) - São os pais de Mary, na 3ª temporada, eles se mudam para Minneapolis para estarem mais perto da filha.



Marie Slaughter (Joyce Bulifant) - É a esposa de Murray, com quem teve 4 filhas e mais tarde adotou um menino vietnamita.



Joe Warner (Ted Bessell) - Foi namorado de Mary em dois episódios da 5ª temporada.




Mary morava em um apartamento em uma casa de estilo vitoriano, localizada no endereço fictício da 119, North Weatherly.



Na realidade, eram somente as imagens externas, já que o interior do apartamento era recriado em estúdio, a casa fica na 2104, Kenwood Parkway. A proprietário da casa, teve uma dor de cabeça enorme, pois seu imóvel virou um ponto turístico, diariamente paravam cerca de 30 ônibus com milhares de pessoas perguntando sobre Mary, isso acontecia mesmo depois de 10 anos em que o seriado havia terminado.
Tudo que aparecia na decoração, fazia um enorme sucesso e ia parar nas casas dos milhares de fã do seriado. Um desses itens decorativo era a letra M, pendurada na parede.














Essa é a planta do apartamento de Mary


Na vida real, a casa é assim por dentro (veja imagens abaixo), na época das gravações do seriado, o sotão do imóvel, onde é o apartamento de Mary estava inacabado. Ela tem 880 m², duas cozinhas, 7 quartos e 9 banheiros, foi construída no início do século XX.












Imagens: The Hooked House

The Mary Tyler Moore Show também lançava moda, todas as peças usadas pelas personagens femininas, era logo copiadas por todas as americanas.















A série foi lançada em VHS, com apenas alguns episódios, depois no formato videolaser e comercializado até hoje em DVD.














Em 7 de Fevereiro de 2000 foi ao ar o telefilme Mary and Rhoda, pela  rede de TV americana ABC, na trama descobrimos o que aconteceu com as personagens anos depois, Mary retorna da Europa, depois que seu marido, o congressista Steve Cronin morre um acidente, fazendo alpinismo, ela tem uma filha chamada Rose que é universitária. Rhoda também retorna à New York depois de ter divorciado de seu segundo marido, o fotografo francês Jean-Pierre Rousseau com teve uma filha chamada Marisa, que foi para a universídade também.


O telefilme deveria ser um piloto para uma nova série, mas decepcionou os fãs do seriado, pois na tentativa de atualizar a trama, pouco foi relembrado dos tempos de Minneapolis e nem apareceram ou foram mencionados os outros personagens da história.



Mary Tyler Moore nas revistas da época







 Vamos conhecer mais algumas curiosidades desse seriado


The Mary Tyler Moore Show foi um seriado aclamado pela crítica e ganhou 29 prêmios Emmy Award:

  • Melhor Série de Comédia  - (1975,76,77)
  • Melhor Atriz em Série de Comédia - Mary Tyler Moore (73, 74,76)
  • Atriz do Ano - Mary Tyler Moore (74)
  • Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia - Ed Asner ('71, 72,75), Ted Knight (73, 76)
  • Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia - Valerie Harper (71, 72,73), Cloris Leachman (74), Betty White (75, 76)
  • Performance Individual por uma Atriz Coadjuvante em Comédia ou Drama  - Cloris Leachman (75) (compartilhado com Zohra Lampert em Kojak)
  • Roteiro em Série de Comédia - James L. Brooks, Allan Burns (1971), Treva Silverman (1974), Ed Weinberger, Stan Daniels (1975), David Lloyd (1976), Allan Burns, James L. Brooks, Ed Weinberger, Stan Daniels, David Lloyd, Bob Ellison (1977)
  • Escritor do Ano - Treva Silverman ('74)
  • Direção em Série de Comédia  - Jay Sandrich (1971), Jay Sandrich (1973)
  • Edição - Douglas Hines (75, 77)
O seriado ainda ganhou 3 Globos de Ouro:
  • 1971: Mary Tyler Moore, Melhor Atriz / Comédia
  • 1972: Edward Asner, Melhor Ator Coadjuvante / Comédia
  • 1976: Edward Asner, Melhor Ator Coadjuvante / Comédia (empatado com Tim Conway em The Carol Burnett Show ) 
 Sobre os seriados spin-off de The Mary Tyler Moore:


Rhoda foi ar na TV em 9 de Setembro de 1974 à 9 de Setembro de 1978, pela rede americana CBS, totalizando 110 episódios de 25 minutos de duração, com exceção do episódio do casamento de Rhoda que teve 1 hora de duração.


Na trama, Rhoda volta para New York, montar seu próprio negócio, uma empresa de vitrinismo chamada Windows by Rhoda. Ela vai morar na casa dos pais Ida, Martin e sua irmã caçula Brenda (Julie Cavner), então conhece o divorciado Joe Gerard (David Groh) e que tem um filho de 10 anos chamado Donny. A amiga Mary Richards aparece esporadicamente na série.


O relacionamento de Joe e Rhoda vão avançado a cada episódio e eles se casam no 8º episódio da série que teve 1 hora de duração e bateu todos os recordes de audiência da TV americana na época. No casamento de Rhoda, aparecem quase todos os personagens de The Mary Tyler Moore Show com exceção de Ted Baxter e Sue Ann Nivens.
Mas a felicidade conjugal da personagem dura pouco, Rhoda se separa de Joe na 3ª temporada. À partir da 4ª temporada, a audiência vai caindo, o público torceu o nariz para a "a vida de divorciada de Rhoda" na temporada anterior, culminando no fim do seriado na 5ª temporada que mostrava o divórcio dos pais de Rhoda, Martin descobre sua vocação para a música e separa de Ida pra começar uma carreira da cantor.

3ª temporadas da série foram lançadas em DVD








A série Phyllis foi ao ar pela CBS, de 08 de Setembro de 1975 à 13 de Março de 1977, totalizando 48 episódios de 24 minutos de duração. O seriado focava na vida de Phyllis que ficava viúva do seu marido Lars Lindstrom e voltava para San Francisco, onde ia morar com sua mãe desmiolada Audrey Dexter (Jane Rose) e seu padastro Jonathan Dexter (Henry Jones). 
O foco de série estava nas trabalhadas de Phyllis que antes levava uma vida de madame e agora tinha que se posicionar no mercado de trabalho, ela vai trabalhar como assistente de. fotógrafo, mas parece que uma maldição tomou conta da produção do seriado, com a morte de várias pessoas envolvidas, esses problemas e a baixa audiência culminaram no fim do programa.
Mary Richards também aparecia em alguns episódios.




Lou Grant foi ar pela CBS, entre 20 de Setembro de 1977 à 13 de Setembro de 1982, totalizando 114 episódios de 46 minutos.  Assim como o spin-off Rhoda, o seriado de Lou foi bem sucedido, apesar de ser mais dramático ao contrário de The Mary Tyler Moore Show que era cômico.
O seriado abordava questões sociais como doença mental, prostiuição, direito dos homossexuais, estupro, poluição, além de discutir a ética no jornalismo como o plágio e conflito de interesses.
Mary Richards e outros personagens não apareceram nesse seriado, com exceção da tia Flo em um episódio, mas Mary vivia sendo mencionada por Lou.

Mais algumas imagens do seriado:


Em 8 de Maio de 2002, foi inaugurada uma estátua de Mary Tyler Moore na icônica cena em que ela joga a boina para cima, celebrando a nova vida na cidade grande, no cruzamento do Nicolett Mall, o shopping de Minneapolis que servia de locação ao seriado.















 Livro lançado em 2013 sobre os bastidores do seriado


Ingresso do seriado




A causa principal para o fim da série, com certeza foi o esvaziamento de elenco por conta de seus seriados spin-off. O atrativo era justamente os diálogos cômicos entre Mary, Rhoda e Phyllis, os fãs acharam que a saída delas, acabou deixando o seriado insosso e vazio.
Essa é a cena final de The Mary Tyler Moore Show em 1977, os personagens da WJM são demitidos, com exceção de Ted Baxter, que ironicamente temia a demissão por suas trapalhadas. 
Mary Richards vai para New York fazer um mestrado em jornalismo e chega à conclusão que seu tempo em Minneapolis valeu à pena.


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